29/11/2006

27.11.2006

sabia do sentido das palavras em si
noite
é sempre noite na cidade agora que o
movimento se cristaliza
em parede de papel
o instante ou o detalhe o mesmo homem em
movimento
subterrâneo
as escadas implicam acção repetida
vezes sem conta
sem nome
todas as caras são assim agora é sempre noite
noite
repito-o e repito-te em mais um teste à minha
perseverança
esgotada
num movimento invísivel que cola a parede ao
chão e um tecto que não há




palavras de m. tiago paixão
inédito, 2006

28/11/2006

MASQUERADE


7 Dezembro 2006
Quinta feira, 16h. Bloco 1 (Estudos Portugueses) da FCSH.




("para Amurada", in MASQUERADE, 2006)
instalação fotográfica de ana sophia pereira

SOMBRA DO AMOR





Da paixão pelos livros e do gosto de criar algo, surge a Sombra do Amor - Edições, uma pequena editora que quer ocupar um espaço no «nicho alternativo» do mundo da edição de livros.

Somos independentes, do nosso lado temos a liberdade aliada à vontade de dar vida as palavras (e não só) que se escondem em folhas soltas guardadas em gavetas.

O objectivo principal é editar o que gostamos, é dar valor ao autor e à sua obra.





contactos:
geral
sugestões, críticas a afins

manuscritos
recepção de originais

27/11/2006

CESARINY


in memoriam Mário Cesariny de Vasconcelos. 1923-2006

ELLE - NOIR

III



nessa distância tão próxima de uma tarde fria de Inverno, nesse fogo vazio das grandes cidades,
perdidas entre pessoas e filmes, respondias-me em sinais ou suspiros perdidos.


roubo-te o espaço, roubo-te o ar e regresso a ti a cada volta e a cada volta dou-te um pouco mais do que tenho como sangue e, disseram-me, coração.

não tenho coração. talvez uma caixa de madeira, escura e secreta.

a Verdade és tu, aí

e eu esperando qualquer coisa próxima de ti comigo, nós, aqui.

a Verdade somos nós aqui.


disseram-me um dia que era bom amante e bom amigo mas tudo isso é somente foder com ou sem sorrisos e lume para os cigarros.

sorrio pouco.
disseram-me, então, que era único e bom mas eu não tenho um coração como aqueles que encontras no peito de qualquer homem, qualquer homem que te ame e não te foda com sorrisos, alguém sem sorrisos e de luz apagada, íntima.
sei, mesmo assim, que nos olhávamos nos olhos e não sentíamos vergonha e não ríamos.

já não éramos crianças.

eu, dentro de ti, sempre fui pouco mais que um homem perdido à procura do coração junto aos cigarros.


assim, nessa distância citadina, respondias-me sem uma palavra que fosse que me tornasse real
no meio de tanta chuva e confusão em Novembro e que posso pedir-te que não apenas que me
respondas, até não me importo se não existir contigo outra vez e não olho se alguém te agarrar
e amar. peço-te uma palavra sólida que me dê corpo real nesta comédia.

ofereço-te duas. peço-te uma.
porque eu nunca soube o que era que trazia atrás das costelas e preferi sempre olhar-te os olhos
e atrapalhar-me no peito, à procura de lume para o coração.



palavras de joão silveira

23/11/2006

CALLEMA




callema
Cooperativa Literária - 7 de Julho 2006, Cafetaria Continental, Lisboa.
membros fundadores: Rui Alberto, Hugo Milhanas Machado, M. Tiago Paixão, Nuno Silva e Ilídio J.B. Vasco.


programa:
devolver a literatura à voz, à mão, ao bolso, ao debate, à rua. resgatá-la da dependência cristalizada, do sono a que foi conduzida: uma literatura muda, uma literatura que não é Hoje. e esse Hoje é Hoje, está aqui.

projecto:
promover uma actividade (atitude) editorial independente, alternativa - não se leia aqui a recusa a um mercado central, social e culturalmente instalado, lugar privilegiado para a promoção desse mesmo debate -, a exposição literária na via pública, o encontro do Leitor com o texto, com a Obra: perfomances, conversas, exposições, diálogo, diálogo com as outras artes.

actividade, vigilância, disponibilidade.

estabelecimento de plataformas de colaboração com outros colectivos culturais: Respigarte, Sombra do Amor Edições.

a revista Callema, semestral, vozeamento imediato da Cooperativa Literária.

a literatura, um compromisso.
Cooperativa Literária

Calema: Fenómeno natural da costa ocidental africana, caracterizado por grandes vagas de mar. A ondulação forma-se no alto-mar e a ressaca origina correntes muito fortes que, dirigindo-se para a costa, rebentam estrondosamente, provocando grandes estragos.
(Depois apeteceu-nos dobrar o l, para ver se causavamos mais estragos).

- do Editorial.

Já está disponível o número 01 de Callema – Publicação Semestral da Cooperativa Literária, com o título: Sob o Signo do Desejo.

Sobre a nossa maneira de trabalhar digo apenas que somos curiosos profissionais. Não temos nem procuramos dar respostas. Esse é outro dos trabalhos do leitor.

– do Editorial.

A revista encontra-se dividida em sete secções: Ensaio (texto dramático), Humpty-Dumpty (reportagem), Lugar da Mancha (prosa), Post Scriptum (ensaio), Syllepsis (poesia), Câmara (crítica) e Satyr (texto humorístico).

Dirigida por M. Tiago Paixão e contando com o trabalho editorial de Ilídio J. B. Vasco, Rui Alberto e Hugo Milhanas Machado, Callema publica, e publicará, apenas nas suas páginas trabalhos inéditos no nosso país. Deste número destacaremos aqui os seguintes temas: Camões transformado e re-montado: o caso de Herberto Hélder, por Rui Torres, Doutor em Literatura Portuguesa e Brasileira pela University of North Carolina at Chapel Hill, E.U.A.; Notas para uma aproximação à escultura de Ângelo de Sousa, por Emília Pinto de Almeida; Highway to Heaven, conjunto de poemas inéditos, pela nossa convidada especial – Yolanda Castaño.

Sobre Yolanda Castaño, algumas palavras de Hugo Milhanas Machado, responsável pela “reportagem”:

da literatura à música, da pintura à televisão, do enérgico contributo para a promoção da língua e do património literário galegos à difusão da novíssima literatura junto de públicos mais jovens – aqui fica, somente, isso mesmo: a sua menção e um não inocente convite ao elevar das pálpebras – como por certo teria dito a jovem Yolanda em meados de noventa, no prólogo da sua aventura, do seu cantar sob o signo do desejo.



A Callema não tem partido político nem religião, não tem patrocinadores ou apoios institucionais, mas não nos sentimos sós – dividimos este projecto convosco. Não queremos com isto dizer que somos independentes, porque dependemos de alguns vícios... enfim, coisas próprias da condição humana... a cada um a sua história...
– do Editorial.


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callema


O portal LX Jovem fez a cobertura do lançamento. Ver reportagem aqui