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11/03/2010

Tenho orgulho em mim. Tenho orgulho de quem sou e, principalmente, tenho orgulho de ser filha dos meus Pais.
Os meus Pais não são nem foram os melhores do Mundo, nem eu, no alto da minha arrogância, poderia afirma-lo. Mas foram os melhores pais que sabiam ser. Fui uma criança e uma adolescente bastante complicada, e uma filha do pior. Levei demasiado tempo para perceber que a minha mãe é uma mulher e o meu pai um homem e nunca tiveram o adjectivo "super" agregado ao nome e que há alturas em que não existe culpa. Como tal demorei demasiado tempo a desculpar e a baixar as armas.

Este é o meu Pai, anos antes de nos ter como sua família.
Sabia-o feliz naqueles Verões na Praia das Maçãs. Anos mais tarde também me sentei naquele muro e fui também eu feliz ali, a entrar e a sair da água, o cheiro do cloro entranhado nos cabelos, o chá quente nas manhãs de Verão em Sintra, acompanhadas por pão com chouriço que só nós, a minha mãe, o meu pai, o meu irmão e eu entendemos.
As lembranças da minha infância e juventude ficam agora mais acesas e são-me mais importantes que nunca. E o que fica nem é tanto as histórias que se passaram, ou os sítios em que estávamos, ou com quem estávamos. É a recordação do meu Pai estar. É cheiro ou o mimo ou a gargalhada. São as coisas que gostava, o seu tipo de humor e tudo... tudo, tudo o que me ensinou. Ou, tristemente, tudo aquilo que me lembro dele me ensinar.
E quando estou sozinha, secretamente, penso que conhecia o meu Pai bem antes dele nos conhecer a nós. Como naquela fotografia, penso estar lá, não atrás da máquina, mas ao lado a comer um epá. Que já partilhava com ele a maneira de sermos, os gostos, a forte gargalhada, o tipo de humor...
E da mesma forma, gosto de pensar que ele vai sempre por perto, a conhecer-me a mim...
Por me saber tão filha do meu Pai, tão igual a si, não passa um dia em que não me recorde dele. Consequentemente, da falta que ele me faz e da dor que é não poder partilhar mais da minha vida com ele.

10/03/2010

Onde é que estavas há dois anos atrás?


na praia, em vez de estar nas aulas de fotografia

12/02/2009

porto



intercidades, lisboa - porto
sobre carris, sobre o douro
nov. 2008

29/02/2008

A Confissão


"Perturbava o seu aspecto físico, macerado e esguio, e o seu corpo de linhas quebradas tinha estilizações inquietantes de feminilismo histérico e opiado, umas vezes - outras, contrariamente, ascetismo amarelo."

in, A Confissão de Lúcio
Mário de Sá Carneiro

12/02/2008

I may be skin and bone



Them unwrap me hand and foot
The big strip tease.
Gentlemen, ladies

These are my hands
My knees.
I may be skin and bone,

Nevertheless, I am the same, identical woman.


sylvia plath, lady lazarus




model - silvia (not plath)
filme kodak TMax 400
papel ilford multigrade RC

08/12/2007

21/09/2007

pictografia/ismo II


do Gr. phôs, photós, luz + graph, r. de graphein, desenhar

s. f., arte de fixar numa chapa sensível, por meio da luz, a imagem dos objectos;
fig., cópia fiel;
retrato.

06/05/2007

24/04/2007

photografia/ismo


do Gr. phôs, photós, luz + graph, r. de graphein, desenhar

s. f., arte de fixar numa chapa sensível, por meio da luz, a imagem dos objectos;
fig., cópia fiel;
retrato.

obrigado marta

27/03/2007

D. Quijote segundo Ana Sophia Pereira

ao amigo hugo milhanas machado


poema para d.quijote de la mancha de miguel de cervantes

morríamos nessa cidade e o nosso tempo era já
um outro tempo era forçosamente o desejar e o
indelével recordar de um outro tempo
triste e irremediavelmente aquém e além da nossa
presença no mundo.
fugíamos. pela noite pelos silêncios das casas
os homens e a cidade dormindo talvez para
jamais acordar – porque impossível era também a vigília
e o adormecer
e em cada palavra a invenção de um mar
e em cada novo mar um novo homem.

diziam-nos impraticável o nosso verbo
inverosímil a curva em nossas bocas

e acabámos morrendo com uma pérola no peito a fazer de azul.

in "quatro poemas em terceiras bemóis", POEMA EM FORMA DE NUVEM, 2005
Hugo Milhanas Machado

01/02/2007

E ao anoitecer


E ao anoitecer

e ao anoitecer adquires nome de ilha ou de vulcão
deixas viver sobre a pele uma criança de lume
e na fria lava da noite ensinas ao corpo
a paciência o amor o abandono das palavras
o silêncio

e a difícil arte da melancolia

16/01/2007

Queria Ser Marinheiro

queria ser marinheiro correr mundo
com as mãos abertas ao rumo das aves costeiras
a boca magoando-se na visão das viagens
levaria na bagagem a sonolenta canção dos ventos
e a infindável espera do país assustado pelas águas


al berto

25/12/2006

aprendiz de viajante





Um dia li num livro: « Viajar cura a melancolia».
Creio que, na altura, acreditei no que lia. [...]
Os anos passaram - como se apagam as estrelas cadentes - e, ainda hoje, não sei se viajar cura a melancolia. No entanto, presiste em mim aquela estranha impressão de que lera uma predestinação. [...]
Avencei sempre, sem destino certo. [...]


Aprendiz de Viajante
in Medo, Al Berto



Modelo: Rui Alberto

Sud Express, algures muito perto do Entroncamento.

29/11/2006

27.11.2006

sabia do sentido das palavras em si
noite
é sempre noite na cidade agora que o
movimento se cristaliza
em parede de papel
o instante ou o detalhe o mesmo homem em
movimento
subterrâneo
as escadas implicam acção repetida
vezes sem conta
sem nome
todas as caras são assim agora é sempre noite
noite
repito-o e repito-te em mais um teste à minha
perseverança
esgotada
num movimento invísivel que cola a parede ao
chão e um tecto que não há




palavras de m. tiago paixão
inédito, 2006

27/11/2006

ELLE - NOIR

III



nessa distância tão próxima de uma tarde fria de Inverno, nesse fogo vazio das grandes cidades,
perdidas entre pessoas e filmes, respondias-me em sinais ou suspiros perdidos.


roubo-te o espaço, roubo-te o ar e regresso a ti a cada volta e a cada volta dou-te um pouco mais do que tenho como sangue e, disseram-me, coração.

não tenho coração. talvez uma caixa de madeira, escura e secreta.

a Verdade és tu, aí

e eu esperando qualquer coisa próxima de ti comigo, nós, aqui.

a Verdade somos nós aqui.


disseram-me um dia que era bom amante e bom amigo mas tudo isso é somente foder com ou sem sorrisos e lume para os cigarros.

sorrio pouco.
disseram-me, então, que era único e bom mas eu não tenho um coração como aqueles que encontras no peito de qualquer homem, qualquer homem que te ame e não te foda com sorrisos, alguém sem sorrisos e de luz apagada, íntima.
sei, mesmo assim, que nos olhávamos nos olhos e não sentíamos vergonha e não ríamos.

já não éramos crianças.

eu, dentro de ti, sempre fui pouco mais que um homem perdido à procura do coração junto aos cigarros.


assim, nessa distância citadina, respondias-me sem uma palavra que fosse que me tornasse real
no meio de tanta chuva e confusão em Novembro e que posso pedir-te que não apenas que me
respondas, até não me importo se não existir contigo outra vez e não olho se alguém te agarrar
e amar. peço-te uma palavra sólida que me dê corpo real nesta comédia.

ofereço-te duas. peço-te uma.
porque eu nunca soube o que era que trazia atrás das costelas e preferi sempre olhar-te os olhos
e atrapalhar-me no peito, à procura de lume para o coração.



palavras de joão silveira